O ano de 2021 foi recorde para investimentos em venture capital, atingindo US$ 7,8 bilhões no Brasil. A grande oferta de dry powder (capital disponível para investimentos) gerada pelo cenário de baixa taxa de juros internacional e mercado aquecido de IPO, impulsionou rodadas de investimento em startups, principalmente voltadas para tecnologia, que não eram suficientes para suprir o aumento de apetite de fundos e conseguiram aproveitar condições favoráveis para captações em valuations elevados.
Com a mudança de paradigma macroeconômico, marcado por taxas de juros crescentes, prolongamento da guerra na Ucrânia, preocupação com recessão global, além de eleição no final do ano para o país, o nível de investimentos de venture capital caiu mais que a metade em 2022 e atingiu US$ 3,4 bilhões. Investidores alteraram seu perfil de investimentos e reduziram capital destinado para startups, considerado de maior risco.
O “inverno das startups” representou um momento de grande redução de rodadas de captação, com startups se adequando às novas condições de mercado e ao novo perfil de investidor, que prioriza modelos de geração de caixa sustentável em detrimento ao high growth do ano anterior.
Apesar da queda de volume de investimento em 2022, algumas startups ainda conseguiram aproveitar o final da janela de oportunidade no 1º semestre do ano, participando de rodadas de captação superiores a US$ 100 MM, denominadas “mega-rounds”.
Na pílula de hoje, apresentamos em mais detalhes a evolução de investimentos de venture capital que resultaram no “inverno das startups” e quais foram os maiores “mega-rounds” de 2022.
Com as mudanças macroeconômicas de 2022, investimentos de VCs no país caíram mais que a metade, logo após um ano de recorde
BRL MM Volume anual de investimento
2016S2
2016S1
2017S2
2017S1
2018S2
2018S1
2019S2
2019S1
2020S2
2020S1
2021S2
2021S1
2022S2
2022
- O ano de 2021 marcou o recorde de investimentos em Venture Capital, tendo sido marcada pela alta oferta de dry powder (capital disponível para investimentos)
- Com o crescimento da inflação, aumento da taxa de juros, prolongamento da guerra na Ucrânia, entre outras incertezas ao longo de 2022, muitos fundos se tornaram mais seletos em seus investimentos, reduzindo volume em startups, consideradas como investimentos de maior risco atrelado, e prezando por companhias com modelos mais sustentáveis
- A queda de volume de investimentos representou um “inverno das startups”, que necessitaram ajustar seus modelos de negócios, frente ao perfil mais criterioso de investidor
Algumas startups brasileiras ainda conseguiram aproveitar a janela e foram os maiores mega-rounds do ano
| Empresa | Data da transação | Captação | Comentários |
|---|---|---|---|
![]() | jan/2022 | US$ 260 MM | Fintech especializada em crédito com garantia em imóveis, automóveis e salários, realizou sua Series F, sendo avaliada a US$ 4,8 bi |
![]() | fev/2022 | US$ 300 MM | Fintech de serviços financeiros recebeu o aporte realizado pelo banco espanhol BBVA e entrou para o grupo de unicórnios brasileiros, sendo avaliada a US$ 1,6 bi |
![]() | mar/2022 | US$ 126 MM | Startup varejista de vinhos, recebeu aporte liderado pela Vinci Partners, 6 meses após ter adquirido uma de suas concorrentes, a Grand Cru |
![]() | mai/2022 | US$ 100 MM | Startup de financiamento de sistemas de energia fotovoltaica recebeu o aporte em captação liderada pelo QED Investors, com participação do SoftBank, VEF e Valor Capital |
![]() | mai/2022 | US$ 110 MM | A Dock, antiga Conductor, que oferece soluções financeiras para empresas, passou a ser avaliada em US$ 1,5 bi após aporte liderado pela Lightrock e Silver Lake |









