De acordo com a Bain & Company, US$3,8 Tri foram movimentados no mercado de M&A em 2022. Dentre todas as transações anunciadas no ano, a maior foi a compra da gigante dos games, a Activision Blizzard Inc pela Microsoft.
A Activision Blizzard, avaliada em torno de U$68,7 bi, é responsável por grandes franquias do mundo dos videogames, como: Call of Duty, Diablo, Overwatch, entre outras.
Essa aquisição atraiu os olhares das agências reguladoras de mercado ao redor do mundo, já que a empresa é uma das maiores desenvolvedoras de jogos eletrônicos do mundo. A AB Inc fornece seus jogos para inúmeras concorrentes da Microsoft, incluindo a dona dos consoles Playstation, a Sony.
Além disso, há um certo receio de que a Microsoft alavanque outros serviços, como sua plataforma de cloud gaming e o sistema operacional Windows, impondo condições comerciais mais duras para as concorrentes que desejam ter acesso as franquias da AB.
A maior aquisição do ano de 2022 corre o risco de ser bloqueada por órgãos regulatórios
As leis antitruste ao redor do mundo, tem o objetivo de incentivar a livre competição, limitando o poder de mercado que pode ser detido por apenas uma única companhia. Para que essas leis sejam cumpridas, cada nação possui um agente regulador responsável por aplicá-las. Dentre os papéis desses agentes, um dos mais importantes é evitar a formação de cartéis e monopólios, que em diversas situações intervêm no mercado de M&A.

Federal Trade Comission (FTC)
● Transação em análise

● Transação bloqueada

● Aprovou a transação

● Transação em análise
A maior aquisição do ano de 2022 corre o risco de ser bloqueada por órgãos regulatórios
Em janeiro de 2022, a Microsoft anunciou que adquiriria a Activision Blizzard Inc. por U$68,7 bilhões, transformando esta na maior aquisição do ano. A empresa é uma das líderes mundiais em desenvolvimento de jogos eletrônicos e conteúdo interativo, e é responsável por grandes franquias do mundo dos games.
Em maio de 2023, a aquisição ainda não foi finalizada, e devido a alguns agentes reguladores, a transação pode não ser concluída esse ano. Desde 2022, o CMA (agente regulador britânico) vem questionando a operação em questão levantando diversas barreiras, e recentemente, anunciou o bloqueio da transação.
As três agências mais relevantes para concretizar a aquisição são: a FTC (EUA), que fará audiência em agosto, a EC (EU), que analisará o caso ainda em maio, e a CMA (UK), que já bloqueou a operação. Considerando outros mercados relevantes, sete países já aprovaram a transação, são eles: Arábia Saudita, Brasil, Sérvia, Chile, Japão, África do Sul e Ucrânia.
Há três principais argumentações para a CMA se posicionar contra a concretização da aquisição
Exclusividade geral em grandes franquias
- Exclusividade de grandes franquias da Activision, mais especificamente de Call of Duty.
- A CMA desenvolveu um modelo financeiro exemplificando como a Microsoft se beneficiaria financeiramente ao proibir que sua maior rival, a Sony, disponibilizasse a franquia CoD para Playstation.
- Após ter seu modelo duramente questionado pela Microsoft, a CMA preferiu deixar o caso CoD e focar nas demais potenciais consequências.
Monopólio em cloud gaming
- O cloud gaming é o futuro dos videogames. Por definição, são jogos hospedados em nuvem, que eliminam a necessidade de consoles, softwares ou hardwares.
- A Microsoft possui uma plataforma de cloud gaming, e a CMA teme que a empresa poderia expandir sua plataforma, proibindo que jogos da Activision fossem “streamados” nas concorrentes.
- Para contornar a acusação, a Microsoft assinou contratos com algumas plataformas garantindo a disponibilização dos jogos por 10 anos. Porém, a CMA afirmou que os contratos são “muito limitados em escopo” e só garantem as compras unitárias de jogos, o que não contempla o serviço de subscrição multi-jogos(1).
Utilização forçada do Windows
- A Microsoft é uma empresa verticalizada, e possui um portfolio extenso, que inclui: programas de computador (Pacote Office) sistemas operacionais (Windows), provedor de cloud (Azure), entre outros.
- A CMA afirma que mesmo disponibilizando os jogos para seus concorrentes, a Microsoft poderia “forçar” a utilização de outros serviços ou produtos, por exemplo:
- A Microsoft poderia “forçar” que as suas plataformas concorrentes só pudessem disponibilizar seus jogos para clientes que estivessem utilizando sistemas operacionais Windows. Isso tornaria o uso do sistema da Microsoft obrigatório para o usuário jogar.
Fonte: Veja; The Verge; Digital trends




