A venda de direitos autorais de músicas é uma prática que envolve a transferência dos direitos patrimoniais de um autor para terceiros. Isso permite que os artistas recebam uma quantia significativa antecipadamente, proporcionando-lhes flexibilidade financeira, ao mesmo tempo em que o comprador garante ganhos contínuos por meio da exploração comercial da obra.
Exemplos notáveis de transações de compra e venda incluem a aquisição dos direitos autorais dos Beatles por Michael Jackson em 1985 e a compra do catálogo de Justin Bieber pela Hipgnosis Songs Capital em 2023.
Fundos como o Hipgnosis, fundado por Merck Mercuriadis e listado na Bolsa de Valores de Londres, têm desempenhado um papel fundamental na atividade de M&A, atraindo investidores para um segmento em crescimento, onde os ativos são valorizados em milhares de dólares.
Conheça mais sobre os direitos autorais musicais como ativos financeiros.
Direitos autorais musicais: por que vender?
Win-win
Realização de lucros e eliminação de riscos não enxergados
- Recebimento à vista pela venda dos direitos permite a aplicação financeira do capital conforme o artista desejar, eliminando possíveis riscos do futuro
Baixa rentabilidade de serviços de streaming para artistas
- A democratização da música via plataformas de streaming diminuiu a lucratividade de artistas, antes contemplados com 12-14% das vendas de CDs e DVDs
Spotify x Taylor SwiftEm 2014, a cantora removeu seus álbuns do Spotify e de outros serviços de streaming, em protesto aos baixos pagamentos feitos pelas plataformas pela reprodução de suas músicas
Transações marcantes de direitos autorais musicais


- Em 1985, Michael Jackson arrematou todo o catálogo de músicas dos Beatles por US$ 47,5 milhões, em um leilão da então detentora dos direitos Associated Television;
- A transação ficou marcada por arruinar a relação próxima entre Michael Jackson e Paul McCartney que, pouco antes, protagonizaram os hits “The Girl Is Mine” e “Say Say Say”.


- Em 2021, Bruce Springsteen vendeu os direitos do seu catálogo completo de músicas por US$ 500 milhões à Sony Music Entertainment
- A transação ficou marcada por ser a maior já feita na história pelo catálogo de um único artista, mantendo-se como recordista até hoje.


- Em 2022, o Genesis, grupo britânico de rock formado por Phil Collins, Peter Gabriel, Mike Rutherford e Tony Banks, vendeu os direitos de todo o seu catálogo de músicas por US$ 300 milhões ao Concord Music Group
- O catálogo do grupo, somado, já teve mais de 250 milhões de cópias vendidas no mundo todo


- Em janeiro de 2023, Justin Bieber vendeu os direitos de todas as suas músicas ao fundo de investimento Hipgnosis Songs Capital por US$ 200 milhões
- A transação foi a maior do Hipgnosis Songs Capital desde o anúncio da parceria, em out/22, com o Blackstone Group para investimentos de ~US$ 1 bilhão em direitos fonográficos
Direitos musicais são ativos financeiros e já despertam a atração de investidores
Case Study: Hipgnosis Fund
- Hipgnosis Song Fund é um fundo de investimento privado focado na aquisição de direitos autorais musicais, fundado em 2018 por Merck Mercuriadis, ex-empresário de grandes estrelas da música, como Elton John, Iron Maiden, Guns n’ Roses e Beyoncé
- O fundo é listado na LSE, Bolsa de Valores de Londres, e detém os direitos de mais de 65 mil músicas com valor total superior a US$ 3 bilhões, sendo 163 obras ganhadoras de Grammy
| Ativo | Descrição | Valor da transação | Data |
|---|---|---|---|
![]() | 100% dos direitos de todo o catálogo do cantor canadense Justin Bieber: mais de 290 músicas A transação contemplou apenas músicas lançadas antes de 31 de dezembro de 2021 | US$ 200 milhões | Jan/2023 |
![]() | 100% dos direitos de todo o catálogo do grupo americano de rock alternativo Red Hot Chilli Peppers | US$ 150 milhões(2) | Mai/2021 |
![]() | 100% dos direitos de todo o catálogo da cantora colombiana Shakira: mais de 145 músicas | US$ 300 milhões(1) | Jan/2021 |
Fonte: Análise Ártica, Hipgnosis Fund, Concord, Billboard, Sony Music, UOL, CNN







