Dois casos marcantes ajudam a entender decisões de investimento em contextos de alto crescimento. De um lado, o acerto da Accel ao entrar cedo no Facebook, resultando em um dos maiores múltiplos sobre capital investido da história do venture capital. De outro, o arrependimento de Peter Thiel por não ter seguido investindo na empresa, mesmo tendo sido o primeiro a apostar na tese.
Ambos os episódios revelam lições importantes sobre vieses cognitivos e situações corriqueiras que afetam até os investidores mais experientes.
O crescimento do Facebook foi frequentemente projetado de forma linear, desconsiderando efeitos de rede e expansão geográfica. Além disso, avaliações posteriores acabaram ancoradas em rodadas anteriores, ignorando mudanças estruturais já em curso.
São casos como este que mostram como a capacidade de revisar premissas, perceber sinais fora do consenso e agir com convicção diante de mudanças sutis pode ser determinante na geração de valor em investimento.
Realizado em 2005, o investimento da Accel, fundo americano de Venture Capital, no Facebook se tornou um dos deals mais bem-sucedidos da história
Em 2005, a Accel liderou a series A de funding do Facebook (na época, TheFacebook), investindo $12,7 MM em troca de ~15% da empresa
IPO
Mesmo tendo desinvestido uma parcela minoritária em 2010, estima-se que o valor da participação da Accel no IPO Facebook era mais de $9,0 BI, o que representava um dos maiores múltiplos sobre o capital investido da história da indústria de Venture Capital
Fonte: Crunchbase; Análise Ártica.
Por trás desse investimento de sucesso estava a materialização de um case de crescimento da empresa, com expansão para novos públicos e mercados
Rede social focada em ser um hub para o público universitário
Aquisições notáveis


Início da expansão para o público geral e posteriormente para novas geografias
Lançamento da funcionalidade “curtir”, o que aumentou muito o engajamento dos usuários
— Peter Thiel, sobre seu arrependimento de não ter seguido investindo no Facebook nas rodadas após o seed
Peter Thiel, cofundador do PayPal e investidor de destaque em empresas como SpaceX e Airbnb, foi o primeiro a apostar no Facebook em 2004. Apesar do sucesso inicial, optou por não seguir investindo por considerá-lo superavaliado — decisão que mais tarde descreveu como o maior arrependimento da carreira.
Cases de sucesso, como o da Accel, e de arrependimento, como o de Thiel, carregam ensinamentos valiosos no contexto de investimentos
Pensar e agir rápido em cenários de elevado crescimento
- A convicção da Accel na tese a permitiu investir, aproveitando cedo de sinais que muitos outros ignoraram;
- O risco assumido pelo fundo o permitiu capturar todo o crescimento nos anos subsequentes.
Evitar pensamento linear em ambientes exponenciais
- Muitos investidores subestimaram o Facebook ao projetar seu crescimento de forma linear, ignorando potenciais efeitos de rede, entrada em novos mercados, etc;
- Em contextos exponenciais, usar o passado como régua para o futuro pode levar a decisões equivocadas e perda de oportunidades.
Tomar cuidado com o viés de ancoragem nos investimentos
- As avaliações das rodadas de investimento do Facebook foram vistas por muitos como exageradas, ancoradas em valuations anteriores;
- Essa comparação desconsiderou mudanças drásticas no contexto da empresa e na tração obtida nos anos seguintes.




