Após a forte retração no pós-pandemia, o mercado global de private equity começa a apresentar sinais de recuperação. No Brasil, porém, os fundos ainda enfrentam baixa liquidez, menor volume de desinvestimentos e prazos de permanência mais longos.
Com juros elevados e ausência de IPOs desde 2022, compradores estratégicos ganharam relevância e responderam por 79% das saídas de private equity em 2025. Nesse cenário, grupos internacionais podem ampliar as alternativas de liquidez dos fundos e, ao mesmo tempo, acessar empresas brasileiras consolidadas.
Na pílula de hoje, analisamos como o atual cenário do private equity no Brasil reforça o papel dos compradores estratégicos internacionais no próximo ciclo de desinvestimento.

(1) Fundos de private equity e venture capital, excluindo fundos de fundos e fundos de fundos híbridos.
Fonte: Ártica; Preqin; Pitchbook.
Após retração da atividade de investimentos no pós-pandemia, o mercado global de private equity esboça sinais de recuperação nos processos de desinvestimento
Volume global de investimentos de private equity e venture capital(1)
US$ Bi
US$ Bi
Volume global de desinvestimentos de private equity
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
424
595
723
726
841
815
1.076
1.022
949
819
729
-5.9%
Venture Capital
Private Equity
# Fundos
Investimento CAGR
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
+50%
# Saídas

Fonte: Ártica; ABVCAP.
No Brasil, a principal dificuldade enfrentada pelos fundos nos últimos anos tem sido a realização de saídas
2021
2022
2023
2024
2025
O prazo médio de permanência dos investimentos aumentou de 5,3 anos, entre 2018 e 2022, para 6,3 anos, entre 2023 e 2025, refletindo condições de liquidez mais restritivas e um ciclo de desinvestimentos mais prolongado
R$ Bi
Volume de desinvestimentos realizado por investidores financeiros no Brasil

Fonte: Ártica; KPMG; B3; ABVCAP.
Em um ambiente de juros elevados e seca de IPOs, o papel dos compradores estratégicos estrangeiros se torna cada vez mais relevante
Número de desinvestimentos de private equity por tipo de comprador
IPOs no Brasil
2017
2018
2019
2020
2021
2022
2023
2024
2025
0
0
0
0
25%
75%
2019
18%
14%
68%
2020
23%
9%
68%
2021
0%
4%
96%
2022
0%
0%
67%
2023
0%
24%
76%
2024
0%
21%
79%
2025
36
28
47
24
27
29
33
33%
Saído via IPO
Saída via PE-para-PE
Saída via investidor estratégico
#
#

(1) Investimento Estrangeiro Direto; (2) Os dados de 2025 têm como fonte a OCDE, enquanto os dados dos anos anteriores foram obtidos junto ao Banco Mundial; (3) Considera somente transações envolvendo empresas brasileiras.
Fonte: Ártica; World Bank Group; OECD; UN Trade and Development (UNCTAD).
Mesmo com o avanço do investimento estrangeiro direto, as transações cross-border no Brasil ainda permanecem abaixo dos níveis históricos
Transações cross-border no Brasil(3)
Ranking global de IED(1)
IED em cada país
7º
2020-23
1º
2º
4º
5º
2024
1º
3º
5º
7º
9º
2025(2)
1º
2º
3º
5º
6º
IED acumulado no período
% – 2023 vs 2024
%
40%
60%
2014
41%
59%
2016
57%
43%
2018
71%
29%
2020
64%
36%
2022
62%
38%
2024
63%
37%
2025
(23%) p.p
Nacional
Cross-border
Mundo
Brasil
Economias
desenvolvidas
Economias em
desenvolvimento
Europa
América
do Norte
África
LATAM
Ásia
0,2%

(1) A idwall também era investida por outros fundos, como Península, Monashees, Norte Ventures, ONEVC e Canary.
Fonte: Ártica.
Transações recentes demonstram o interesse de compradores estratégicos internacionais por ativos brasileiros
2026
2026
2026
2025
2026
2026
adquiriu a provedora de banda larga Desktop do fundo H.I.G. Capital e de seus acionistas fundadores
adquiriu a fintech de crédito Blipay do fundo SRM Ventures e de seus demais acionistas
adquiriu a operadora logística CLI da IG4 Capital e Macquarie Asset Management
adquiriu a operadora portuária Santos Brasil de fundos geridos pela Opportunity
adquiriu a farmacêutica Cellera Farma do fundo Victoria Capital Partners
adquiriu a plataforma de identidade digital idwall, controlada por diversos fundos de investimentos
(1)
Aquisição de participações de investidores financeiros em empresas brasileiras por compradores estratégicos internacionais




