O UFC deixou de ser apenas um torneio de MMA para se tornar parte de um dos negócios mais lucrativos da indústria esportiva mundial. Junto com a WWE e o PBR, a franquia integra a TKO Group Holdings, companhia avaliada em aproximadamente US$ 35 bilhões, que combina escala de receita e volume de eventos ao vivo em um único ativo: US$ 4,7 bilhões de receita consolidada em 2025 e mais de 500 eventos ao vivo por ano, assistidos por mais de 1 bilhão de domicílios em 210 países.
Paralelamente, o setor vive a transição definitiva do pay-per-view para o streaming. A Paramount+ assumiu todos os direitos de transmissão do UFC por US$ 7,7 bilhões entre 2026 e 2032, movimento que segue a mesma lógica adotada pela WWE.
A estrutura consolidada como vendedor único de IP em esportes ao vivo permitiu à TKO alcançar margens EBITDA de 45% a 50% no UFC e na WWE, superando amplamente pares do setor como F1, MotoGP e Madison Square Garden. Parte dessa lucratividade, porém, é sustentada pela baixa remuneração dos atletas: o UFC destina apenas 17% de sua receita aos lutadores, frente a 48%-50% praticados por ligas como NBA, NHL e NFL. Essa disparidade já resultou em um acordo de US$ 375 milhões por supressão salarial e segue sendo contestada em ações judiciais em curso.
Nesta pílula, destacamos como a fusão entre UFC e WWE transformou direitos de mídia em poder de negociação, consolidando um modelo de negócio replicável e de altíssima rentabilidade, ao mesmo tempo em que expõe as tensões estruturais entre lucratividade corporativa e remuneração dos atletas que sustentam o produto.

US$ 4,7 Bi
Receita consolidada em 2025
+500
Eventos ao vivo por ano
+1 Bi
Domicílios em 210 países assistiram a algum evento
TKO combina escala de receita e volume de eventos ao vivo em um único ativo
Fonte: TKO; Análises Ártica.
Franquias
Ultimate Fighting Championship (UFC)
World Wrestling Entertainment (WWE)
Professional Bull Riders (PBR)

(1) A partir de 18/08/2021, Silver Lake ou KKR poderiam exigir unilateralmente um IPO do próprio UFC sob o acordo de sócios de 2016; a WME comprou os 49,9% em maio de 2021, antes de perder o direito de impedir o IPO.
Fonte: Capital IQ; Clippings; Análises Ártica.
O UFC surge como um pequeno torneio de MMA em 1993 e ao longo dos anos se juntou ao WWE, que combinados valem mais de US$ 35 bilhões
Fundação
1993
2021
2026
Formato de torneio e distribuição exclusiva por pay-per-view
Lorenzo e Frank Fertitta, da Station Casinos, compram o UFC por US$ 2 milhões e criam a Zuffa. Modelo de legalização estado a estado e criação de estrelas no reality The Ultimate Fighter, de 2005
Concomitantemente ao IPO(1) na NYSE (maio de 2021), a WME compra os 49,9% dos minoritários (Silver Lake, KKR, MSD) em caixa e ações, passando a deter 100% do UFC
Fusão com a WWE cria a TKO Group Holdings, com Enterprise Value combinado de US$ 21,4 bilhões. A Endeavor fica com 51%
TKO atinge valor de mercado de aproximadamente US$ 35 bilhões
2001
2023
2016
Consórcio liderado pela William Morris Endeavor (WME), com Silver Lake, KKR e MSD Capital, assume o controle por cerca de US$ 4 bilhões, com profissionalização comercial e venda de direitos de mídia

Enterprise value
UFC entra na TKO a US$ 12,1 bilhões contra US$ 4,1 bilhões pagos em 2016, e a WWE contribui cerca de US$ 9,3 bilhões, com alavancagem combinada de 2,8x
Poder de barganha
Calendários complementares sob um só vendedor transformam direitos de mídia em negociação de portfólio
Controle da TKO definido
51% da WME e 49% dos acionistas da WWE(3), US$ 150 milhões em caixa no fechamento e conselho de 11 assentos, 6 deles indicados pela Endeavor
(1) Intellectual property: marcas, nomes de eventos, acervo de lutas e direitos de imagem detidos pela companhia; (2) Anunciada em abr/2023 e concretizada em set/2023; (3) A WWE já era listada antes da fusão com o UFC, portanto o free float está incluso nos 49% mencionados; (4) Rede CBS de televisão aberta nos Estados Unidos, cujo sinal é gratuito e não exige assinatura de TV paga ou de streaming. Fonte: TKO; Análises Ártica.
Fusão cria vendedor único de IP(1) ao vivo e converte escala em contratos plurianuais bilionários
Fusão entre UFC e WWE(2)
Nasce a TKO
WME combina UFC e WWE em uma companhia listada na NYSE avaliada em mais de US$ 21 bilhões, dedicada à posse de IP em esportes ao vivo
+40
Eventos por ano
+900M
Domicílios alcançados
+170
Países
+700M
Fãs no mundo
+200
+1B
+180
+1,2B
FY2022
Mudança do pay-per-view para o streaming
Modelo anterior: a cobrança era por evento, no formato pay-per-view. A ESPN detinha os direitos e pagava entre US$ 500 e US$ 550 milhões por ano
Novo contrato: a Paramount+ assumiu todos os direitos por US$ 7,7 bilhões entre 2026 e 2032, média de US$ 1,1 bilhão ao ano, com parcelas menores no início e maiores no fim do período
Efeito para o assinante: os eventos numerados e as fight nights passam a integrar a assinatura, e parte deles vai também para a CBS aberta(4), sem cobrança avulsa
Tendência do setor: a WWE seguiu o mesmo caminho. O Raw foi para a Netflix por mais de US$ 5 bilhões em 10 anos, cerca de US$ 500 milhões anuais desde janeiro de 2025, e os Premium Live Events ficaram com a ESPN por US$ 1,6 bilhão em 5 anos, ou US$ 325 milhões anuais, 78% acima do acordo que existia com a Peacock

(1) Todas excluem D&A e remuneração baseada em ações. Overhead corporativo não alocado rateado entre os segmentos pro rata pela receita; (2) Exercícios sociais encerrados em dez/2025, exceto MSG Entertainment e MSG Sports (jun/2025).
Fonte: Resultados das Companhias; Análises Ártica.
A TKO estabeleceu negócios mais lucrativos que seus pares donos de IP, com margem de 45% a 50% no UFC e na WWE…
Margem EBITDA ajustada(1; 2) por segmento (FY25)
%
TKO
Outros

Fonte: Autos dos processos Le, Cirkunovs e Davis v. Zuffa (D. Nev.); NBA; NHL; NFL; Front Office Sports; Wrestlenomics; Análises Ártica.
…porém parte dessa lucratividade vem às custas de baixa remuneração dos atletas, situação que tem sido levada aos tribunais
Porcentagem da receita destinada aos atletas
Ações judiciais em curso
17%
15%
50%
50%
48%
Em fev de 2025 a dona do UFC homologou acordo de US$ 375 mi com cerca de 1.100 lutadores que a acusavam de suprimir salários entre 2010 e 2017. O acordo, porém, resultou apenas em pagamento retroativo, sem alterar nenhuma cláusula contratual.
Lutadores contestam a regra que os obriga a brigar sozinhos
Ação de lutadores em corte federal de Nevada
O contrato manda toda disputa para arbitragem privada e em sigilo, e proíbe ação coletiva
É o que mantém a maioria dos atletas recentes fora do processo bilionário de salários
Se cair, muito mais lutadores podem cobrar a empresa de uma só vez
Ação pede o direito de deixar o contrato após um ano
Movida por atletas de organizações rivais, barrados de contratar quem assina com o UFC
Não pede indenização, pede mudança de contrato
Quer saída do contrato após um ano e fim da renovação automática a cada vitória
Mudança permanente no modelo, não um cheque pago uma vez
%
Hoje há duas ações principais movidas contra a TKO sobre o tema




