A próxima Copa será a maior da história: três países-sede, 48 seleções, 104 jogos e expectativa de público e receitas em níveis recordes. A monetização da FIFA deve bater novos patamares e os mercados anfitriões já se preparam para a injeção de capital e serviços ligada ao evento.
Quando olhamos para trás, porém, a história é menos glamorosa: em várias edições, orçamentos estouraram, receitas locais ficaram abaixo do esperado e os ganhos se concentraram em poucos setores. Diversos benefícios existem: visibilidade global, aceleração de projetos e alguma melhora de mobilidade, mas muitas vezes são temporários, enquanto a conta pública e os custos de manutenção permanecem.
No Brasil-2014, houve modernização logística e ganhos de turismo (como a expansão de aeroportos) e alta aprovação dos visitantes; por outro lado, parte das arenas exigiu subsídios e trouxe despesas relevantes.
Somando todos os fatores, econômicos, sociais e de imagem, qual é, de fato, o saldo final para quem sedia uma Copa do Mundo?
A Copa de 2026 será notável, batendo recordes e com receitas elevadas, enquanto os custos projetados parecem relativamente sob controle
Ocorrerá em três países: Canadá, México and Estados Unidos
Terá duração de 36 dias, de 11 de junho até 16 de julho
The FIFA estima um público recorde de 6,5 MM de torcedoresEm muitos aspectos será a maior Copa do Mundo da história
| Receitas estimadas(1) | Custos estimados | |
|---|---|---|
![]() | 2,7 | 1,0 |
![]() | 30,5 | 0,6 |
![]() | 3 | 0,2 |
| Receita total: 36,2 | Custo total: 1,8 |
Fonte: Ártica, Relatório “A indústria da Copa do Mundo“, publicado pelo BTG Pactual; FIFA
Mas o histórico das Copas pede cautela: ganhos difusos e temporários, enquanto estouros de orçamento e déficits se repetem para países-sede
| Receitas estimadas Bi USD | Custo total estimado Bi USD | Lucro/Prejuízo Bi USD | |
|---|---|---|---|
![]() | 17,0 | 220 // | (203,0) |
![]() | 14,5 | 11,6 | 2,9 |
![]() | 12,7 | 15,0 | (2,3) |
![]() | 2,9 | 3,6 | (0,7) |
![]() | 3,9 | 4,3 | (0,4) |
![]() | n.a. | 7,0 | – |
![]() | 1,5(1) | 1,0 | 0,5 |
Fonte: Ártica, Relatório “A indústria da Copa do Mundo“, publicado pelo BTG Pactual
Legados urbanos e de imagem, somados a impactos sociais e econômicos negativos, nos fazem questionar o resultado de uma Copa do Mundo
- Upgrades de infraestrutura/mobilidade (sobretudo aeroportos) e aceleração de projetos já previstos
- Exposição global e pico de turismo de curtíssimo prazo (efeito-vitrine). Impacto direto em Qatar foi cerca de 1% do PIB, por exemplo
- Legados intangíveis (organização, imagem, segurança), mas difíceis de monetizar
- “Elefantes brancos” com OPEX alto e demanda estrutural baixa (estádios em mercados sem clubes fortes)
- Impacto urbano e social: mudanças de circulação cotidiana, obras aceleradas, pressões sobre aluguel/hospedagem, risco de remoções(1)
- Risco de corrupção e superfaturamento: fragilidade de controle em contratos públicos e pressa nas obras podem elevar custos e gerar desvio
Gastos diretos com turismo estimados durante a copa
com a construção do Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos
dos estrangeiros desejavam voltar
de empregos gerados (70% fixos)
Déficit operacional da Arena Amazônia(3)
Repasse mensal real/previsto da Arena Pernambuco
Contas a pagar(2) em 2022, referentes à construção das arenas
ameaçadas por remoções
Fonte: Ártica, Exame














