{"id":5824,"date":"2022-09-02T16:12:38","date_gmt":"2022-09-02T19:12:38","guid":{"rendered":"https:\/\/artica.capital\/asset-cartas\/a-era-da-prova-social\/"},"modified":"2025-08-19T10:42:02","modified_gmt":"2025-08-19T13:42:02","slug":"a-era-da-prova-social","status":"publish","type":"cartas","link":"https:\/\/artica.capital\/en\/asset-cartas\/a-era-da-prova-social\/","title":{"rendered":"The age of social proof"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-eb5bab19 wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-columns artica-content-spaces artica-card-container is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column artica-side-content is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:365px\">\n<div class=\"wp-block-group artica-carta-toc has-pureza-background-color has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-09e94731 wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"margin-bottom:0;padding-top:24px;padding-right:24px;padding-bottom:24px;padding-left:24px\">\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<nav class=\"wp-block-pycblocks-table-of-contents-pyc artica-toc artica-carta-toc has-rocha-color has-text-color has-link-color wp-elements-bfa098a5fadc5cc3b84e9a44d0dec027\"><ol><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">The age of social proof<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">Os suspeitos usuais<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">Erros coletivos<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">A armadilha da prova social<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">O c\u00edrculo de formigas<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">Prova social 2.0<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">O copo meio cheio<\/span><\/li><\/ol><\/nav>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n\n<div style=\"font-size:12px; padding-right:40px;padding-left:40px;\" class=\"wp-block-pycblocks-read-time-pyc\">\n      9 min read<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:70px\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column artica-carta-text is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h2 class=\"wp-block-heading has-noite-color has-text-color has-link-color wp-elements-7433497a50affea8c80839f4218b4b4f\">The age of social proof<\/h2>\n\n\n\n<p>Dear investors,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil observar os movimentos da bolsa de valores sem ficar intrigado. Em um momento, predomina a opini\u00e3o de que o futuro \u00e9 sombrio e, logo depois, um sentimento de otimismo contamina os mercados e gera um novo ciclo de alta. As vezes, nenhum fato de grande relev\u00e2ncia acontece durante essa invers\u00e3o de sentimentos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que uma das mais famosas representa\u00e7\u00f5es do mercado \u00e9 o aleg\u00f3rico Mr. Market, de Benjamin Graham, uma figura emotiva que, em seus surtos bipolares, pode abandonar completamente a racionalidade costumeira e agir de maneiras incompreens\u00edveis para um observador externo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essa percep\u00e7\u00e3o conflita com o fato de que o mercado de investimentos \u00e9 constitu\u00eddo por profissionais talentosos e altamente qualificados, selecionados atrav\u00e9s de din\u00e2micas extremamente competitivas. Como pode este grupo de pessoas seletas agir de maneira emotiva e irracional? \u00c9 conceb\u00edvel que alguns investidores isolados cometam erros. Por\u00e9m a m\u00e9dia das opini\u00f5es de todos, que em \u00faltima inst\u00e2ncia fazem o pre\u00e7o no mercado, n\u00e3o deveria refletir a melhor previs\u00e3o do futuro que \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7armos?<\/p>\n\n\n\n<p>Esta vis\u00e3o, que argumenta pela sabedoria e compet\u00eancia do coletivo de investidores, \u00e9 a famosa teoria dos mercados eficientes, que tanto gostamos de criticar. Como podemos rotular como eficiente um mercado que reduziu sua vis\u00e3o de valor para algumas empresas em mais de 80% em um espa\u00e7o de um ano, atribuindo o ajuste principalmente a fatores macroecon\u00f4micos? Enxergamos apenas dois tipos de fatores que poderiam causar esse n\u00edvel de ajustes: ou uma cat\u00e1strofe macroecon\u00f4mica da ordem de grandeza de uma guerra nuclear ou um grande erro na avalia\u00e7\u00e3o de valor destas empresas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00edticas \u00e0 parte, resta a quest\u00e3o de como esse coletivo de investidores, de fato constitu\u00eddo por pessoas inteligentes e bastante instru\u00eddas, pode cometer erros dessa ordem de grandeza. \u00c9 de suma import\u00e2ncia entender a fonte dessas distor\u00e7\u00f5es, para que seja poss\u00edvel evitar fazer parte desses erros coletivos. Esse ser\u00e1 nosso tema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os suspeitos usuais<\/h2>\n\n\n\n<p>Em seu famoso livro \u201cThinking Fast and Slow\u201d, Daniel Kahneman, ganhador do pr\u00eamio Nobel de economia, descreve a exist\u00eancia de dois sistemas de racioc\u00ednio que coexistem em cada c\u00e9rebro humano: o sistema 1 \u00e9 r\u00e1pido e heur\u00edstico, respons\u00e1vel pelo que chamamos de intui\u00e7\u00e3o, enquanto o sistema 2 \u00e9 lento e met\u00f3dico, respons\u00e1vel pelo que entendemos como a racionalidade cl\u00e1ssica. A ordena\u00e7\u00e3o entre eles n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1ria. A resposta que nos vem \u00e0 mente primeiro \u00e9 sempre do sistema 1, equanto o papel do sistema 2 \u00e9 suprimir o sistema 1 e chegar a conclus\u00f5es mais precisas sobre o tema de interesse, quando h\u00e1 tempo dispon\u00edvel e decidimos ativamente empregar esfor\u00e7os para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>As respostas r\u00e1pidas do sistema 1 s\u00e3o uteis em diversas situa\u00e7\u00f5es de estresse. Ao ver um carro desgovernado vindo em sua dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 mais eficiente se esconder atr\u00e1s de um poste do que ficar parado analisando a trajet\u00f3ria do carro para julgar se ele realmente vai te atropelar. Por\u00e9m, o sistema 1 introduz uma s\u00e9rie de erros cr\u00f4nicos de racioc\u00ednio que s\u00e3o chamados de vieses cognitivos. J\u00e1 falamos sobre isso em nossa carta de abril de 2022, mas retomaremos ao assunto para aprofundar algumas considera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Erros coletivos<\/h2>\n\n\n\n<p>Praticamente todos os testes formais de habilidade intelectual s\u00e3o focados no sistema 2. Assim, quando dizemos que o p\u00fablico de investidores \u00e9 integrado por pessoas inteligentes e bem instru\u00eddas, estamos tecendo elogios aos seus sistemas 2. Sem d\u00favida essas s\u00e3o grandes qualidades, mas n\u00e3o tornam esse p\u00fablico isento dos vieses cognitivos impostos pelo sistema 1. Entre as dezenas de vieses existentes, alguns s\u00e3o particularmente perigosos por serem \u201caltamente escal\u00e1veis\u201d e potencializados em contextos em que h\u00e1 um grande n\u00famero de pessoas interagindo entre si, o que os torna potenciais fontes de erros coletivos. \u00c9 o caso do vi\u00e9s de prova social, em que um indiv\u00edduo tende a imitar o comportamento que enxerga em outras pessoas ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar o que um vi\u00e9s pode causar, trazemos uma curiosidade mencionada por Charlie Munger em sua brilhante palestra intitulada \u201c<em>Psychology of Human Misjudgment<\/em>\u201d: formigas s\u00e3o condicionadas a marchar logo atr\u00e1s de qualquer outra formiga que esteja andando a sua frente, comportamento respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o das longas fileiras de formigas que todos n\u00f3s j\u00e1 observamos em algum momento. Na maioria dos casos, o comportamento \u00e9 eficiente para coordenar o trabalho conjunto da col\u00f4nia, mas quando uma trilha dessas por acaso se torna um grande c\u00edrculo, as formigas continuam sujeitas ao seu instinto de seguir a formiga da frente e podem continuar marchando em c\u00edrculos at\u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um exemplo de prova social bastante simplificado. Nossos c\u00e9rebros humanos jamais cairiam em uma armadilha t\u00e3o simples, mas estamos longe de sermos imunes. Em um experimento para testar esse vi\u00e9s, figurantes entram em um elevador em que o alvo do teste est\u00e1 sozinho e se posicionam todos de costas para a porta. Logo, o alvo do teste vira de costas para a porta tamb\u00e9m, apesar de ser t\u00e3o pouco natural e n\u00e3o fazer sentido algum (busque por \u201c<em>social proof elevator<\/em>\u201d no Youtube para ver v\u00eddeos do experimento). Em um exemplo mais grave e complexo, muitos atribuem ao vi\u00e9s de prova social a ader\u00eancia de grande parte da popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 ao nazismo (o filme \u201c<em>The Wave<\/em>\u201d, de 1981, aborda o tema).<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos agora como esse vi\u00e9s age sobre o mercado de investimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A armadilha da prova social<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das caracter\u00edsticas do vi\u00e9s de prova social \u00e9 que ele se intensifica em situa\u00e7\u00f5es de incerteza e stress. Sem uma an\u00e1lise racional para determinar como devemos agir e sob press\u00e3o, \u00e9 instintivo buscar conselhos das pessoas que transmitam maior confian\u00e7a ou simplesmente copiar o que estiverem fazendo. Esse instinto n\u00e3o \u00e9 injustificado. Na maioria dos casos, quem age com tranquilidade e confian\u00e7a realmente sabe o que est\u00e1 fazendo. O problema \u00e9 que este crit\u00e9rio julga apenas a apar\u00eancia, e n\u00e3o qualidade da recomenda\u00e7\u00e3o. Um exemplo disso s\u00e3o &nbsp;alguns \u201cgurus do mercado financeiro\u201d que tem mais autoconfian\u00e7a do que habilidade ou que, em alguns casos, d\u00e3o conselhos mal-intencionados em busca de benef\u00edcios pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala de an\u00e1lise de investimentos, o problema \u00e9 agravado, pois h\u00e1 dois tipos de incertezas envolvidas: as incertezas epist\u00eamicas, que poderiam ser eliminadas com mais informa\u00e7\u00f5es e esfor\u00e7os anal\u00edticos (ao menos em tese, pois \u00e9 comum a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria n\u00e3o ser acess\u00edvel), e as incertezas aleat\u00f3rias, relacionadas a par\u00e2metros completamente imprevis\u00edveis e que, portanto, n\u00e3o podem ser eliminadas. O bom investidor reconhece que essa parcela intrat\u00e1vel de incertezas existe, o que impossibilita ter confian\u00e7a absoluta sobre qualquer tese de investimento. Assim, o discurso de investidores h\u00e1beis tende a ser ponderado e reflexivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 sempre quem esteja disposto a discursar publicamente sobre temas incertos com extrema confian\u00e7a e assertividade, seja por falta de consci\u00eancia sobre as incertezas envolvidas ou por saberem que esse tipo de discurso \u00e9 mais eficiente para sua autopromo\u00e7\u00e3o do que o estilo mais ponderado. Em ambos os casos, a imagem de certeza \u00e9 falseada. Por\u00e9m, mesmo falseada, essa imagem atrai os que buscam orienta\u00e7\u00e3o para decidir o que fazer em uma situa\u00e7\u00e3o de incerteza e stress. Assim se iniciam os ciclos viciosos que conduzem a erros coletivos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O c\u00edrculo de formigas<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando h\u00e1 muitas incertezas no cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico, pol\u00edtico ou no contexto em que determinada empresa est\u00e1 inserida, seria adequado que os investidores se mantivessem em um estado de d\u00favida. Por\u00e9m, esse estado \u00e9 profundamente desagrad\u00e1vel para a mente humana. Elimin\u00e1-lo a qualquer custo \u00e9, inclusive, outro vi\u00e9s cognitivo que induz a realizar simplifica\u00e7\u00f5es inadequadas de an\u00e1lises, adotar premissas sem base razo\u00e1vel e ignorar pontos falhos no racioc\u00ednio. Tudo isso para chegar a uma conclus\u00e3o, mesmo que for\u00e7ada, que permita sair do estado de d\u00favida.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora imagine que essa dedu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada \u00e9 levada ao p\u00fablico por um orador autoconfiante, sendo indiferente se ele acredita no pr\u00f3prio discurso ou se \u00e9 um sofista. Aos ouvintes, que j\u00e1 buscam um meio de abandonar seu pr\u00f3prio estado de d\u00favida, o discurso conclusivo se soma \u00e0 prova social de enxergar algu\u00e9m defendendo o ponto publicamente. Os analistas menos rigorosos aceitam o novo ponto de vista primeiro e passam a propag\u00e1-lo junto ao seu defensor original. \u00c0 medida que aumenta o n\u00famero de pessoas que se posicionam a favor da tese, a prova social se torna cada vez mais forte e atrai cada vez mais pessoas. Est\u00e1 formado o c\u00edrculo de formigas.<\/p>\n\n\n\n<p>Notem que, nos casos reais que ganham grandes propor\u00e7\u00f5es, os discursos por tr\u00e1s desses movimentos n\u00e3o costumam ser obviamente falhos. Tipicamente, s\u00e3o racioc\u00ednios elegantes, logicamente consistentes e apoiados em v\u00e1rios fatos e dados reais. Por\u00e9m, basta exagerar a probabilidade de algumas premissas que favorecerem a tese para que toda ela se torne fr\u00e1gil. Realizar um diagn\u00f3stico desse tipo n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, especialmente se a maioria das pessoas estiver endossando a tese.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prova social 2.0<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes da tecnologia que permitia grava\u00e7\u00f5es de \u00e1udio, todos os espet\u00e1culos musicais eram obviamente assistidos ao vivo. Isso limitava muito o alcance e, por consequ\u00eancia, a fama que um m\u00fasico poderia atingir, por mais expoente que fosse em seu meio. Em contraste, diversos artistas atingem fama global hoje devido \u00e0 possibilidade de distribuir suas m\u00fasicas pela internet com facilidade e baixo custo.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo an\u00e1logo, a exist\u00eancia de redes sociais facilitou muito a publica\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de discurso. Por\u00e9m, como o volume de conte\u00fado criado diariamente \u00e9 muito grande, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer algum crit\u00e9rio para selecionar o que ser\u00e1 prioritariamente propagado. A l\u00f3gica adotada faz muito sentido: os conte\u00fados que t\u00eam maior aceita\u00e7\u00e3o pelo p\u00fablico, medida pelo engajamento nas publica\u00e7\u00f5es (curtidas, coment\u00e1rios e compartilhamentos), s\u00e3o os eleitos para propaga\u00e7\u00e3o mais intensa.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema desse mecanismo de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 que ele beneficia os conte\u00fados que s\u00e3o mais atrativos para nossos sistemas 1, que rapidamente decidem o que merece ou n\u00e3o nosso engajamento, antes de maiores pondera\u00e7\u00f5es de nossos sistemas 2. Assim, publica\u00e7\u00f5es mais apelativas do que analiticamente rigorosas s\u00e3o as que viralizam com maior facilidade nas redes, constituindo o estilo moderno de prova social.<\/p>\n\n\n\n<p>Dando um passo al\u00e9m, as redes sociais se sofisticaram a ponto de selecionar o que \u00e9 exibido para voc\u00ea n\u00e3o com base nas taxas de aprova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em geral, mas com base na aprova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com perfil semelhante ao seu. Assim, voc\u00ea j\u00e1 tem uma inclina\u00e7\u00e3o natural para concordar com os conte\u00fados que lhe s\u00e3o exibidos e, do seu ponto de vista, a maioria das pessoas defende as mesmas linhas de pensamento. \u00c9 dif\u00edcil de pensar em canais de comunica\u00e7\u00f5es melhores do que as redes sociais de hoje para a cria\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias induzidas por prova social.<\/p>\n\n\n\n<p>Se esse diagn\u00f3stico lhe parecer mais aplic\u00e1vel a discuss\u00f5es pol\u00edticas do que a temas relacionados a economia e investimentos, lembre-se das empresas que cresceram explosivamente no mercado financeiro prometendo altos retornos em pouco tempo, atrav\u00e9s de m\u00e9todos especiais e teses secretas que seriam reveladas \u201capenas\u201d a quem estivesse disposto a pagar um valor simb\u00f3lico\u2026 Certamente voc\u00ea conseguir\u00e1 pensar em alguns nomes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O copo meio cheio<\/h2>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica que descrevemos \u00e9 sem d\u00favida negativa para a economia geral, pois tende a prejudicar a qualidade das decis\u00f5es de aloca\u00e7\u00e3o de capital. Com isso, os recursos produzidos pelo trabalho humano s\u00e3o empregados de maneira sub \u00f3tima e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, reduz a riqueza material dispon\u00edvel para a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessas consequ\u00eancias trazidas pela m\u00eddia moderna nos parecerem inevit\u00e1veis, buscamos enxergar tamb\u00e9m o outro lado da moeda: os exageros de mercado criados por essas macrotend\u00eancias \u00e9 que geram, de tempos em tempos, as oportunidades de comprarmos a\u00e7\u00f5es por pre\u00e7os mais baixos do que o razo\u00e1vel ou, quando o movimento exagerado \u00e9 no sentido inverso, de vendermos a\u00e7\u00f5es por mais do que deveriam valer.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, para aproveitar as oportunidades geradas pelos erros coletivos, \u00e9 antes necess\u00e1rio n\u00e3o ceder \u00e0 tend\u00eancia de participar deles. O primeiro passo \u00e9 o que buscamos descrever atrav\u00e9s desta carta: saber que erros coletivos acontecem e entender os mecanismos atrav\u00e9s dos quais eles se desenvolvem e contaminam os mercados.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de ent\u00e3o, o que nos gerou excelentes resultados ao longo dos anos foi manter uma forte cultura de disciplina, rigor metodol\u00f3gico e confian\u00e7a em nossas pr\u00f3prias an\u00e1lises. Baseados nisso \u00e9 que, ao longo desse ano, investimos nosso tempo em an\u00e1lises de empresas, ao inv\u00e9s de aderirmos \u00e0 moda de projetar o futuro macroecon\u00f4mico e pol\u00edtico do mundo, e realizamos uma s\u00e9rie de compras de a\u00e7\u00f5es a pre\u00e7os que julgamos bastante atrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que melhor representa a convic\u00e7\u00e3o de que teremos bons retornos sobre os investimentos feitos nesse ano s\u00e3o os aportes de nosso pr\u00f3prio capital no \u00c1rtica Long Term FIA, feitos no passado recente. Apesar da bolsa ter voltado a subir recentemente, n\u00e3o sabemos se \u00e9 o in\u00edcio de um novo ciclo de alta ou se ainda veremos quedas nos pr\u00f3ximos meses. Movimentos de curto prazo fazem parte das incertezas aleat\u00f3rias e qualquer previs\u00e3o sobre eles poderia se tornar uma fonte de erros, nos moldes que acabamos de discutir.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cLearn how to ignore the examples from others when they are wrong, because few skills are more worth having\u201d<\/em> \u2013 <strong>Charlie Munger<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In this month's letter, we explain what drives major market movements that sometimes seem irrational.<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":5823,"template":"","meta":[],"class_list":["post-5824","cartas","type-cartas","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/cartas\/5824","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/cartas"}],"about":[{"href":"https:\/\/artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/cartas"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/artica.capital\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}