{"id":10857,"date":"2026-10-05T16:57:26","date_gmt":"2026-10-05T19:57:26","guid":{"rendered":"https:\/\/artica.capital\/?post_type=cartas&#038;p=10857"},"modified":"2026-10-06T11:25:44","modified_gmt":"2026-10-06T14:25:44","slug":"historia-da-divida-brasileira","status":"publish","type":"cartas","link":"https:\/\/artica.capital\/en\/asset-cartas\/historia-da-divida-brasileira\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da D\u00edvida Brasileira"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-eb5bab19 wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-columns artica-content-spaces artica-card-container is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column artica-side-content is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:365px\">\n<div class=\"wp-block-group artica-carta-media has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Hist\u00f3ria da D\u00edvida Brasileira - Cartas Mensais #53\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d2EnIS1an-s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group artica-carta-toc has-pureza-background-color has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-09e94731 wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"margin-bottom:0;padding-top:24px;padding-right:24px;padding-bottom:24px;padding-left:24px\">\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group has-global-padding is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<nav class=\"wp-block-pycblocks-table-of-contents-pyc artica-toc artica-carta-toc has-rocha-color has-text-color has-link-color wp-elements-8e31d4aab8bc29f807522b90ea5a52a7\"><ol><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">Hist\u00f3ria da D\u00edvida Brasileira<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">1980 a 1994 &#8211; D\u00e9cada perdida<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">1994 a 2002 \u2013 Estabiliza\u00e7\u00e3o da economia<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">2003 a 2016 \u2013 O boom das commodities e a oportunidade perdida<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">2017 at\u00e9 hoje \u2013 A escalada da d\u00edvida p\u00fablica<\/span><\/li><li><span class=\"wp-block-table-of-contents__entry\">Reflex\u00f5es para os investimentos<\/span><\/li><\/ol><\/nav>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n\n<div style=\"font-size:12px; padding-right:40px;padding-left:40px;\" class=\"wp-block-pycblocks-read-time-pyc\">\n      10&nbsp; min de leitura<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:70px\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column artica-carta-text is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h2 class=\"wp-block-heading has-noite-color has-text-color has-link-color wp-elements-64e072ff485eb79d704d8755158ead5f\">Hist\u00f3ria da D\u00edvida Brasileira<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-rocha-color has-text-color has-link-color wp-elements-a1aac46cf117dfc2bf765b8026adc378\"><strong>Dear investors,<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem s\u00e9culos de hist\u00f3ria de problemas com d\u00edvidas. Em 1808, foi criado o primeiro Banco do Brasil para financiar os pesados d\u00e9ficits da corte de D. Jo\u00e3o VI atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de moeda. Em 1821, quando D. Jo\u00e3o VI voltou a Portugal, levou consigo a maior parte dos metais preciosos do Tesouro e deixou o banco insolvente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1822, a independ\u00eancia aprofundou o endividamento. Al\u00e9m do que j\u00e1 existia, o acordo com Portugal celebrado em 1825 incluiu assumir d\u00edvidas da coroa portuguesa. Desde ent\u00e3o o Brasil enfrenta problemas com suas contas p\u00fablicas. S\u00e3o poucos e breves os per\u00edodos de tranquilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas poucas p\u00e1ginas, focaremos na hist\u00f3ria da d\u00edvida da Nova Rep\u00fablica, o regime pol\u00edtico que come\u00e7ou em 1985 e se estende at\u00e9 hoje. O per\u00edodo j\u00e1 traz epis\u00f3dios variados o suficiente para povoar nosso imagin\u00e1rio com o que pode acontecer quando um governo est\u00e1 endividado e n\u00e3o reverte seus d\u00e9ficits fiscais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1980 a 1994 &#8211; D\u00e9cada perdida<\/h2>\n\n\n\n<p>Os anos 1980 foram iniciados com d\u00e9ficits na conta corrente e a decis\u00e3o do governo de captar d\u00edvidas externas atrav\u00e9s de empresas estatais para fechar o balan\u00e7o de pagamentos. Para proteger as empresas e bancos da exposi\u00e7\u00e3o cambial, que poderia lev\u00e1-los a fal\u00eancia no caso de uma s\u00fabita desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira, o governo permitiu que quem tinha d\u00edvida em d\u00f3lar depositasse o equivalente em cruzeiros no Banco Central antes do vencimento. Assim, o BC ficou com o risco cambial e as empresas continuaram captando d\u00edvidas internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1982, o M\u00e9xico anunciou que n\u00e3o conseguiria pagar suas d\u00edvidas e os credores internacionais pararam de emprestar para toda a Am\u00e9rica Latina. O Brasil ficou sem meios de rolar sua d\u00edvida externa e teve que recorrer ao FMI, que imp\u00f4s um programa de austeridade como condi\u00e7\u00e3o da oferta de ajuda. Em 1983, o governo desvalorizou a moeda brasileira em 30% e adotou metas para controlar as finan\u00e7as. O d\u00e9ficit foi controlado, mas \u00e0s custas de recess\u00e3o econ\u00f4mica e descontrole da infla\u00e7\u00e3o, que ultrapassou 200% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1985, quando surgiu a Nova Rep\u00fablica, as finan\u00e7as p\u00fablicas eram bastante fr\u00e1geis. Quase toda a d\u00edvida interna era composta por t\u00edtulos de curto prazo indexados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e a d\u00edvida com o FMI j\u00e1 tinha um hist\u00f3rico de descumprimento de metas e renegocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1986, veio o Plano Cruzado, com congelamentos de pre\u00e7o, troca de moeda e fim da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria pela infla\u00e7\u00e3o que permeava toda a economia. A infla\u00e7\u00e3o foi controlada nos primeiros meses, mas, como era de se esperar, explodiu novamente logo a seguir. No final do mesmo ano, veio o Plano Cruzado II, com aumentos de impostos e de tarifas como forma de tentar equilibrar as contas p\u00fablicas. N\u00e3o foi suficiente. Em fevereiro de 1987, o governo declarou a morat\u00f3ria da d\u00edvida externa com bancos comerciais, propagandeada como um ato de soberania, mas motivada pela pura falta de dinheiro para pagar.<\/p>\n\n\n\n<p>A esperan\u00e7a do governo era for\u00e7ar que os bancos americanos, bastante expostos ao Brasil, aceitassem um acordo para reduzir e alongar a d\u00edvida, mas a rea\u00e7\u00e3o foi diferente. Provisionaram as perdas e cortaram a oferta de novos cr\u00e9ditos. A perda de credibilidade decorrente da morat\u00f3ria limitou muito o acesso a cr\u00e9dito, aumentou as taxas de juros e praticamente estancou os investimentos estrangeiros at\u00e9 1994, quando veio o Plano Brady.<\/p>\n\n\n\n<p>Os credores estrangeiros tiveram a op\u00e7\u00e3o de substituir seus empr\u00e9stimos problem\u00e1ticos por t\u00edtulos negoci\u00e1veis. Entre as alternativas oferecidas estava um t\u00edtulo com desconto de 35% no valor original da d\u00edvida e outro de longo prazo e taxas de juros abaixo do mercado. Entre 1983 e 1994, estima-se que os credores perderam cerca de 30% de seu investimento. Quem n\u00e3o aguentou esperar at\u00e9 o Plano Brady e vendeu seus t\u00edtulos de cr\u00e9dito no mercado secund\u00e1rio entre 1989 e 1990 perdeu cerca de 70%.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, os credores locais n\u00e3o estavam em situa\u00e7\u00e3o muito melhor. A infla\u00e7\u00e3o galopante corro\u00eda tudo que n\u00e3o fosse indexado \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o a forma de se proteger na renda fixa era o overnight, t\u00edtulos com liquidez di\u00e1ria e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Funcionou at\u00e9 que vieram os planos Bresser (1987), Ver\u00e3o (1989), Collor (1990) e Collor II (1991). O mais conhecido \u00e9 o Plano Collor, que decretou o bloqueio de ~80% dos ativos financeiros do pa\u00eds: poupan\u00e7a, contas correntes acima de um limite e tamb\u00e9m as aplica\u00e7\u00f5es no overnight. O dinheiro bloqueado foi devolvido em 12 parcelas mensais a partir de 1991, 18 meses depois do bloqueio, mas corrigidas a uma taxa insuficiente para cobrir a infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pr\u00e1tica de trocar o indexador em t\u00edtulos de cr\u00e9dito por corre\u00e7\u00f5es insuficientes para cobrir a infla\u00e7\u00e3o, conhecida na \u00e9poca como \u201cexpurgos\u201d, foi tamb\u00e9m adotada nos planos Bresser, Ver\u00e3o e Collor II. Em conjunto, esses quatro planos corroeram cerca de metade do valor aplicado em renda fixa. Os processos judiciais pelos expurgos se arrastaram por quase tr\u00eas d\u00e9cadas e s\u00f3 foram encerrados por um acordo entre bancos e poupadores homologado pelo STF em 2018. No acordo, valores at\u00e9 R$ 5 mil s\u00e3o pagos \u00e0 vista e integralmente. Acima disso, h\u00e1 descontos de 8% a 19%, conforme o valor, e o pagamento \u00e9 feito em parcelas. Ou seja, boa parte das perdas foi permanente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1994 a 2002 \u2013 Estabiliza\u00e7\u00e3o da economia<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1994, foi implementado o Plano Real, que reduziu a infla\u00e7\u00e3o de ~916% em 1994 para ~22% em 1995. Entre as principais medidas, a economia foi indexada a uma \u00fanica unidade di\u00e1ria (URV) e, depois de alguns meses, substituiu a moeda pelo Real, que foi atrelado ao d\u00f3lar, com a taxa de c\u00e2mbio mantida dentro de uma faixa pr\u00e9-determinada. Para atrair capital estrangeiro, a SELIC real foi mantida alta, acima de 20% ao ano em v\u00e1rios momentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da estabiliza\u00e7\u00e3o da economia ter sido bem-sucedida, as d\u00edvidas p\u00fablicas continuaram aumentando devido aos juros altos e a dificuldade de gerar super\u00e1vit fiscal. Mesmo com as privatiza\u00e7\u00f5es da Vale em 1997 e da Telebr\u00e1s em 1998, a d\u00edvida l\u00edquida subiu de ~30% do PIB em 1994 para ~40% do PIB em 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>O ambiente externo n\u00e3o ajudou o Brasil nesse per\u00edodo. Houve tr\u00eas crises envolvendo economias emergentes: M\u00e9xico (1994), \u00c1sia (1997) e R\u00fassia (1998). A crise de confian\u00e7a generalizada nos afetou e dificultou a rolagem da d\u00edvida p\u00fablica. Em 1998, veio um novo acordo com o FMI. Em janeiro de 1999, o regime de c\u00e2mbio fixo n\u00e3o resistiu e foi substitu\u00eddo pelo regime de c\u00e2mbio flutuante que \u00e9 usado at\u00e9 hoje. O d\u00f3lar subiu ~48% nesse ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse epis\u00f3dio \u00e9 que surgiu o \u201ctrip\u00e9 macroecon\u00f4mico\u201d que norteia a pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira at\u00e9 hoje: c\u00e2mbio flutuante, metas de infla\u00e7\u00e3o e super\u00e1vit prim\u00e1rio de mais de 3% do PIB. Em 2000, veio a Lei de Responsabilidade Fiscal com objetivo de ancorar a confian\u00e7a nas finan\u00e7as p\u00fablicas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com esse esfor\u00e7o, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real fez com que a d\u00edvida externa saltasse. Em 2001 veio o racionamento de energia e o colapso da Argentina. Em 2002, a expectativa da vit\u00f3ria de Lula gerou uma crise de confian\u00e7a e o d\u00f3lar subiu mais ainda. Lula ent\u00e3o publicou a \u201cCarta ao Povo Brasileiro\u201d se comprometendo a honrar as metas de super\u00e1vit fiscal, mas a desconfian\u00e7a continuou e a d\u00edvida l\u00edquida atingiu um pico de ~62% do PIB em setembro de 2002. O mercado s\u00f3 se tranquilizou quando Lula assumiu o governo e, de fato, manteve as pol\u00edticas econ\u00f4micas inalteradas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2003 a 2016 \u2013 O boom das commodities e a oportunidade perdida<\/h2>\n\n\n\n<p>A China entrou para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio em dezembro de 2001. A pr\u00f3xima d\u00e9cada foi de r\u00e1pida expans\u00e3o da capacidade fabril chinesa e o impacto dessa ascens\u00e3o foi aumento da demanda e do pre\u00e7o de diversas commodities. O Brasil tinha algumas delas em abund\u00e2ncia: min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo, soja e carne. O pa\u00eds passou a ter a balan\u00e7a comercial extremamente favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A uni\u00e3o dessa receita externa com responsabilidade fiscal permitiu que o Brasil acumulasse reservas internacionais e mudasse o perfil de sua d\u00edvida. O FMI foi pago antecipadamente em 2005 e os t\u00edtulos remanescentes do Plano Brady foram quitados em 2006. A d\u00edvida l\u00edquida de 60% em 2002 caiu para 38% em 2008 e agora era quase exclusivamente d\u00edvida interna, denominada na pr\u00f3pria moeda brasileira. Em abril de 2008, o Brasil atingiu o \u201cgrau de investimento\u201d pela primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p>A Crise do Subprime em 2008-2009 foi o primeiro grande choque externo em que o Brasil estava em boas condi\u00e7\u00f5es financeiras. O governo buscou preservar a economia com um pacote de est\u00edmulos. Usou o Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES para expandir cr\u00e9dito e permitiu que os bancos privados aumentassem sua alavancagem para contribuir com a disponibilidade de cr\u00e9dito no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Os est\u00edmulos funcionaram. O PIB ficou est\u00e1vel em 2009 e cresceu 7,5% em 2010. Por\u00e9m, ao inv\u00e9s de declarar dever cumprido e voltar \u00e0 normalidade, o governo interpretou que o caminho da prosperidade era pavimentado com est\u00edmulos fiscais e eles passaram a fazer parte da pol\u00edtica econ\u00f4mica permanente, chamada de \u201cNova Matriz Econ\u00f4mica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A SELIC foi cortada de 12,5% em 2011 para 7,25% em 2012. Os bancos p\u00fablicos reduziram seus spreads para pressionar que os bancos privados tamb\u00e9m oferecessem cr\u00e9dito mais barato. O BNDES continuou expandindo seus cr\u00e9ditos subsidiados, financiado pelo Tesouro Nacional. A Petrobras e a Eletrobras adotaram pol\u00edticas de pre\u00e7o subsidiadas para conter a infla\u00e7\u00e3o. Pr\u00e1ticas cont\u00e1beis criativas foram adotadas para que as contas p\u00fablicas parecessem equilibradas mesmo com o governo expandindo seus gastos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final de 2013 a d\u00edvida estava em 30,5% do PIB, mas a credibilidade do governo estava degenerando. Em 2014 os pre\u00e7os das commodities despencaram e come\u00e7ou a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que exp\u00f4s o grande esquema de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras e os partidos da base do governo. Em outubro, Dilma foi reeleita e o ano terminou com o primeiro d\u00e9ficit prim\u00e1rio desde o fim dos anos 90.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo mandato, Dilma cortou parte dos est\u00edmulos fiscais e dos subs\u00eddios de pre\u00e7o atrav\u00e9s da Petrobras e da Eletrobras. Em 2015, a energia subiu mais de 50% e os pre\u00e7os dos combust\u00edveis mais de 20%. A infla\u00e7\u00e3o atingiu 10,7% e o Banco Central elevou a SELIC para 14,25%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ajustes n\u00e3o tiveram apoio pol\u00edtico e o Congresso derrubou v\u00e1rias medidas. A arrecada\u00e7\u00e3o caiu mais r\u00e1pido que os gastos e veio o d\u00e9ficit fiscal. O Brasil perdeu o grau de investimento conquistado em 2008 e o TCU reprovou as contas de 2014 por causa das pr\u00e1ticas cont\u00e1beis que ficaram conhecidas como \u201cpedaladas\u201d. Em 2015 e 2016 o PIB teve queda acumulada de ~7%, o desemprego subiu de ~6,5% para mais de 12%. O desfecho da crise foi o impeachment de Dilma em agosto de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o conseguiu sustentar a posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel que atingiu devido ao boom das commodities e retornou \u00e0s dificuldades para equilibrar contas p\u00fablicas e para gerenciar sua d\u00edvida. Uma das piores recess\u00f5es econ\u00f4micas que o pa\u00eds j\u00e1 teve, causada por nossas pr\u00f3prias pol\u00edticas econ\u00f4micas equivocadas. Terminamos 2016 com d\u00edvida l\u00edquida de 46%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2017 at\u00e9 hoje \u2013 A escalada da d\u00edvida p\u00fablica<\/h2>\n\n\n\n<p>Michel Temer assumiu a presid\u00eancia em 2016 e rapidamente mudou a pol\u00edtica econ\u00f4mica. Implementou o teto de gastos, come\u00e7ou a reduzir as d\u00edvidas do BNDES com o Tesouro, acabou com a pol\u00edtica de controle de pre\u00e7os da Petrobras e fez a reforma trabalhista. A infla\u00e7\u00e3o caiu abaixo do piso da meta em 2017 e o Banco Central cortou a SELIC de 14,25% para 6,5%. Em 2019, j\u00e1 com Bolsonaro e Paulo Guedes, o Congresso aprovou a reforma da Previd\u00eancia com economia estimada de R$ 800 bilh\u00f5es em dez anos para o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O conjunto de medidas fez o d\u00e9ficit prim\u00e1rio diminuir de 2,5% em 2016 para 0,85% em 2019, mas com juros altos, crescimento fraco e ainda em d\u00e9ficit, a d\u00edvida l\u00edquida continuou subindo e atingiu 55% ao final de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, veio a pandemia. O PIB brasileiro caiu ~3% e o Congresso aprovou o \u201cOr\u00e7amento de Guerra\u201d para os gastos relacionados \u00e0 crise. O d\u00e9ficit prim\u00e1rio nesse ano foi de 9,5% do PIB e a d\u00edvida l\u00edquida subiu para 61%. Em 2021 e 2022, o governo conseguiu atingir super\u00e1vit prim\u00e1rio de 0,75% e 1,28% e reduziu a d\u00edvida para 56% ao final de 2022. Logo invertemos a trajet\u00f3ria novamente. Em 2023, j\u00e1 com o governo Lula, o resultado prim\u00e1rio voltou para um d\u00e9ficit de 2,3% e segue em campo negativo at\u00e9 hoje. O \u00faltimo dado sobre a d\u00edvida l\u00edquida \u00e9 de 69,3% do PIB em agosto de 2026, o patamar mais alto da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Banco Central.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>D\u00edvida l\u00edquida total do setor p\u00fablico (% do PIB)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"953\" height=\"493\" src=\"https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/divida-liquida-total-do-setor-publico.png\" alt=\"-\" class=\"wp-image-10868\" srcset=\"https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/divida-liquida-total-do-setor-publico.png 953w, https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/divida-liquida-total-do-setor-publico-300x155.png 300w, https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/divida-liquida-total-do-setor-publico-768x397.png 768w, https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/divida-liquida-total-do-setor-publico-18x9.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 953px) 100vw, 953px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\">Fonte: Banco Central<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflex\u00f5es para os investimentos<\/h2>\n\n\n\n<p>O investidor brasileiro enxerga renda fixa como o porto seguro dos investimentos porque os \u00faltimos epis\u00f3dios de repress\u00e3o financeira severa do pa\u00eds foram h\u00e1 35 anos, os planos Bresser, Ver\u00e3o, Collor e Collor II (1987-1991). Nesses epis\u00f3dios, quem realmente sofreu foi quem tinha dinheiro em poupan\u00e7a. Os t\u00edtulos mais \u201csofisticados\u201d foram mais bem protegidos e o retorno ainda foi bom, apesar de muito menor do que os investidores esperavam obter. A li\u00e7\u00e3o que fica \u00e9 que o governo pode mudar as regras no meio do jogo e faz isso de tempos em tempos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Retorno real de investimentos no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"858\" height=\"216\" src=\"https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/tabela-retorno-real-de-investimentos-no-brasil.png\" alt=\"-\" class=\"wp-image-10860\" srcset=\"https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/tabela-retorno-real-de-investimentos-no-brasil.png 858w, https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/tabela-retorno-real-de-investimentos-no-brasil-300x76.png 300w, https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/tabela-retorno-real-de-investimentos-no-brasil-768x193.png 768w, https:\/\/artica.capital\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/tabela-retorno-real-de-investimentos-no-brasil-18x5.png 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 858px) 100vw, 858px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\">*Estimado considerando as taxas de retorno do per\u00edodo e o impacto dos planos Bresser, Ver\u00e3o, Collor e Collor II, sem repara\u00e7\u00f5es dos acordos dos processos judiciais feitos em 2018<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje estamos com d\u00edvida l\u00edquida recorde, com d\u00e9ficit prim\u00e1rio, juros altos e sem um caminho concreto para endere\u00e7ar o problema. Pode ser que o Brasil adote medidas de responsabilidade fiscal a partir de 2027, mas austeridade \u00e9 sempre impopular e n\u00e3o sabemos qu\u00e3o longe o pr\u00f3ximo governo estar\u00e1 disposto a ir em um ambiente pol\u00edtico ainda polarizado. Acreditamos que h\u00e1 risco relevante de que o governo recorra \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o financeira para reduzir a d\u00edvida p\u00fablica. Nossa carta de maio\/2026, \u201c<a href=\"https:\/\/artica.capital\/en\/asset-cartas\/o-futuro-dos-paises-endividados\/\">The Future of Indebted Countries<\/a>\u201d, descreve por que entendemos que esse risco existe.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse pano de fundo, continuamos com uma vis\u00e3o favor\u00e1vel a investir em ativos reais, mais bem protegidos contra a infla\u00e7\u00e3o e artif\u00edcios como os \u201cexpurgos\u201d do final da d\u00e9cada de 1980. J\u00e1 atravessamos diversos per\u00edodos dif\u00edceis com a mesma estrat\u00e9gia de investimento em a\u00e7\u00f5es e acreditamos que ela continuar\u00e1 gerando bons retornos para nossos investidores nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group has-pureza-background-color has-background has-global-padding is-layout-constrained wp-container-core-group-is-layout-e696b4a4 wp-block-group-is-layout-constrained\" style=\"margin-top:64px;padding-top:24px;padding-right:24px;padding-bottom:24px;padding-left:24px\">\n<p class=\"has-noite-color has-text-color has-link-color has-merriweather-font-family wp-elements-080e6ce409f5766f180ded07d27e3011\" style=\"font-size:18px;font-style:normal;font-weight:400;letter-spacing:0px;line-height:1.8\"><em>Check out the comments from Ivan Barboza, manager of \u00c1rtica Long Term FIA, on this month&#039;s letter in <a href=\"https:\/\/youtu.be\/d2EnIS1an-s\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a> or not <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/3QJB8rWKwY5nbiQ9iyTlGM?si=3-BLS7DxQGqwFVfkxXtVwg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Spotify<\/a>.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da D\u00edvida Brasileira Caros investidores, O Brasil tem s\u00e9culos de hist\u00f3ria de problemas com d\u00edvidas. Em 1808, foi criado o primeiro Banco do Brasil para financiar os pesados d\u00e9ficits da corte de D. Jo\u00e3o VI atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de moeda. Em 1821, quando D. 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